sábado, 19 de agosto de 2017

Resiliência

E lá estava eu. Cantando, com meu violão. Em um palco. Pequeno, coisa boba. Poucas pessoas. E a oportunidade de se sentir espalhando pelo mundo. Transbordando. Olho para o nada, sinto o sol entrando, bem no meio de tudo. E posso olhar para as árvores, pelas janelas. E assim eu evito olhares, e mais uma vez me volto para dentro de mim.

E eu me perguntava novamente, porque estava agindo assim. Porque estava vivendo novamente assim. Não que houvesse descoberto naquele momento, na verdade já sabia há muito tempo. Mas a verdade era crua demais para ser dita. Para mim mesma. 

A verdade? Me fechei dentro de mim.
Se quis ou não quis, precisei ou não precisei, não quero ser passarinho preso em uma gaiola, quero poder voar e cantar livre. Não quero morrer na gaiola, presa dentro de mim. É cantando, voando e vendo o mundo que eu preciso seguir.

Mas quente ou frio, cheio ou lotado, eu me guardei aqui. Bem quietinha. Sem vontade de olhar para nada nem ninguém. Apenas estando comigo mesma.
Com o tempo, os olhos pesaram. E fui ouvindo os passos de todos, inclusive o meu. Fui me perturbando, estando com pessoas sem estar com ninguém. Nem mesmo comigo. 
E a solidão, aos poucos, foi batendo. Solidão no meio de um monte de gente. Solidão de quem não se importaria nada de estar só, consigo mesma. Mas solidão de quem tem medo de estar só.

E foi assim que fui vendo pessoas indo para uma direção, enquanto as placas e setas indicavam outra. E eu achei melhor seguir as placas.

Certa ou não, a seta indicou a minha própria confusão. E eu quis me aproximar. Me aproximar sem tocar, sem entrar contato. Apenas sentar ao lado. Indiferentemente. Observando, rindo. Notando a imperfeição que eu me tornei.

Imperfeição cheia de marcas, ainda que a mesma pequena garota de sempre. Que se sentava na beira da cama, e ficava lendo e cantando. A mesma garota que quando o metrô entrava no túnel escuro ouvia aquele barulho quase que de modo ensurdecedor, e se imaginava indo para o espaço, para um mundo totalmente diferente do que vive. A garota que ainda hoje não sabe diferenciar flores de plástico das naturais porque, no fim, em ambas há naturalidade, e modificações.

E sentada, comigo mesma, só deixo o tempo passar. O tempo que tem um tempo diferente daquele que dizem que o tempo é. Esse é meu novo vício: o passar do tempo.
Não porque não importa onde eu esteja e quanto tempo passe, mas porque no lugar que eu estou, excessivamente me protegendo e evitando todo o resto, não faz tanta diferença. A distinção mesmo vem do bom e do ruim. E meu peito está repleto de flores, e espirais.

Folheio as folhas brancas do caderno. Repetidas vezes. Por um longo tempo. Vejo que ainda há muito para se viver.
E como vou fazer? Sem mim?
Ou melhor, estou comigo, e até demais.
Preciso me libertar. Sair daqui.
Preciso encarar tudo o que a vida preparou para mim. E ela preparou, a minha existência.

Onde foi que pousei meu helicóptero quando me tranquei nessa ilha?
Preciso dele, para voar para longe, para fora de mim. Porque, e ainda bem, o mundo é maior que eu, e eu quero fazer parte dele. Eu quero agir. Quero transformar. Quero existir. Quero participar.
Vou voar bem alto, mais alto que os pássaros, passeando sobre as nuvens, e planejando tudo.
Olhando para longe, contemplando a vida e tudo o mais, eu solto meu riso, e com ele vou surgindo.

Se fosse fácil....
O peito dói. As tarefas despencam. Me sinto só. Desmorono. Não consigo dormir.
Mas sigo. Firme. Só vou. Pra onde precisar ir. Para quem precisar de mim. Pro que eu precisar fazer. Com quem eu sou.
Quais são os meus limites? Eu os conheço? Eu os respeito? Ou apenas sigo cegamente? Cuido de mim?
Resiliência. É sempre meu próximo passo. Aguento firme.

O meu limite sou eu mesma. O que sei de mim, o quanto posso suportar de mim, e o quanto me prendo. Dessa vez, o meu silêncio não foi de paz. Eu pude ouvir meus gritos de silêncio, juntamente com as lembranças das noites anteriores, e todos os pensamentos que saíam em fuga da minha cabeça. E eu deitada olhando para o teto. Calma, mas passivamente. Sem conseguir lutar contra essa força minha mesma que se apropriou de mim. Uma doença autoimune.

E ouvindo uma música, escrevendo tudo isso aqui, posso sentir as luzes mais forte, o corpo se arrepiar por inteiro. Não posso dizer que é o meu retorno, pois os olhos ainda pesam, o olho ainda dói, a ansiedade me percorre toda. Mas também não é o meu fim. É só cansaço, e medo do todo, das tantas coisas. Vou ficar bem.

Calma, digo para mim mesma. Respira. Não precisa chorar. Não mais uma vez. Vai ficar tudo bem, você vai ver. Tudo isso passa, menos você. Você fica. Não tenha medo, não se esconda dentro de você. Venha, se sente neste banco. Olhe ao seu redor, existe mais. E ainda bem!
Pode chorar, não precisa ter vergonha, se estão olhando, se vão saber, ou se você está desamparada. Você também não está. Há tanto amor no mundo, e em você. Deixa as lágrimas escorrerem, com tudo o que você guardou aí dentro.... Inclusive você.

Queria saber se teria sido mais fácil se eu tivesse feito diferente, se eu fosse diferente. Sem ter me fechado, teria sido menos duro do que foi, ou ao menos pareceu ser? Distorcí tudo para o muito pior? Poderia ter aproveitado mais? Mais intensamente e verdadeiramente? Mais do que viví, aqui, dentro de mim? Ou foi assim e é tudo que importa?

Não queria ter acordado em tantas noites, sonhando, sufocada, desesperada, lembrando, pensando, sentindo, ansiosa, chorando. Não queria ter pensado tanto em tudo que tem para fazer, ou para falar. Só queria que o resultado final fosse tão bom quanto foi. Sem o nervoso e desgaste.

A verdade, mesmo, é que esse frio me tornou nostálgica demais. E negativa demais. Que isso passe e voe rápido e pra bem longe, como os dentes de leão.

Uma tarde no parque fez com o grande amor da minha vida refez a minha paz. Junto com os livros que lí, os filmes que assistí, as conversas que ouví. Com os abraços e sorrisos que troquei.
Eu sou mesmo assim. Meio trancada, meio fechada, e eu gosto de ser assim. Só não completamente.

Pelo menos uma vez no dia, eu gosto de sair e olhar para o céu. Desde que te perdí, mãe, eu olho ainda mais para o céu e para o nada. E como aprendí ouvindo em uma conversa de almoço nessa semana, eu não devo focar na morte, mas nas coisas boas que fez a vida enquanto a vida foi. Mais lágrimas. E o coração se acalma, límpido.

O céu se assemelha à minha alma, e por isso eu o contemplo. Às vezes branco, vazio. Melancólico, chuvoso. Às vezes alaranjado e roxeado. Sinuoso. E tudo termina em céu azul, repleto, completo, intenso, vivo, com ou sem nuvens brancas.

Fecho os olhos, e me imagino rodando, rodando e rodando. Até ficar tonta e cair. Caio sorrindo, feliz, e levanto. Sigo a vida, parando e procurando em toda esquina uma indicação de caminho certo e uma flor para agradecer. E sento, mais uma vez, para olhar para o nada, para trocar umas poucas palavras com alguém, lembrar do que tenho para fazer e do que me faz bem, e simplesmente seguir. Aprendendo e crescendo.
E quem diria, que do momento que poderia chamar de pior, eu sorriria para a vida e veria o encanto da dor, a esperança do amor e a beleza da paz?

Versos compreensivos

Se meus pés carregassem meu coração
Se a cabeça fizesse mais uma canção
A vida me diria sim
A esperança nunca teria fim

Às vezes, mesmo sem falar
Digo coisas ao mundo, com o olhar
Chamo a atenção e me escondo, ao mesmo tempo
E assim algo me cresce muito forte, no peito

Tenho um enorme descompasso entre o dentro e o fora
Nem parece que sinto demais e na hora
Mas quem é que disse que escolhí ser assim?
E assim há tanto, dentro de mim

Respirar sem sentir o ar
Denso, de quem tanto fez
E agora deseja descansar
Mas foi assim que o mal estar ganhou sua vez

Paradoxalmente posso sentir a paz
Lentamente, passageiramente
E assim vaga a emoção
Não em uma imensidão confusa e pensante

Mas em gratidão.

Esconderia esses versos
Tão ruins, feios
Confusos e errantes
Assim como vejo que sou.

Mas eles são a finita possibilidade de me expressar
De me fazer falar
Depois que eu me tranquei
Dentro de mim.

Confortavel e desconfortavel
Bipolar
Passageiro
Toda onda que vem
É de um mesmo mar

Boa ou ruim
Fácil ou difícil
E a vida segue
Paradoxalmente

Pra variar.

E é assim que sinto
Que esses versos podem nunca acabar

E sem se limitar vão
E eu também vou.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Senti(n)do para viver

Hoje o dia me trouxe uma nova conclusão, ou confissão. Revelações de nós para nós mesmos.
Se todos somos uma casa, eu sou um ninho de passarinho. 
Desses que precisa ser reparado a todo momento, pra não ceder. Desses que se desmancham ou são desmanchados por qualquer coisinha ou pessoa. E desses que se pudesse, acolheria todos os passarinhos que precisassem.

É engraçado dizer isso, e pensar nas coisas como são, e em como a vida acontece. Depois das tormentas e tempestades, do coração que tanto bateu acelerado até quase rasgar o peito - difícil de suportar - do ninho se manter ali no galho que é a vida, fica tudo bem. Como quando o sol nasce. E eu sei que virá um dia bom.

E eu deixo esse sol me tocar. Respirar e sentí-lo na nuca traz uma leveza incrível, quase me fazendo dançar, ouvindo música.

Me faz lembrar de mais um dia em que a solidão se aproximou, melancolicamente. Como um sopro, em que tudo rapidamente desliza e conquista o controle. E fui caminhar.
Caminhei até as pedras, onde me sentei, e olhei durante muito tempo para o nada, em silêncio. Ví pessoas passando muito longe, trilhas de formigas muito perto. E esse nada, embora árvores, distantes, são também aqui dentro de mim, para onde pude me voltar. 
O vento também soprava forte nesse dia. E parecia, aos poucos, tirar de mim todo o peso ou excesso daquilo que não sou eu ou simplesmente é demais. 

Pude caminhar mais um pouco, contemplando ao redor, as diversas flores, sorrindo, sentindo a grama a cada passo dado. Sentindo eu mesma aqui, como nunca antes. Um encontro entre amigas que às vezes se perdem na multidão, de pessoas e de coisas.

Fui para o cantinho de paz. Um lugar rodeado por árvores e grama, com muitos bancos. Gosto de sentar ali para escrever, deitar, organizar tudo. E foi onde me deitei, no cantinho de paz. Me sinto completa e infinita ao olhar para o alto das árvores e para o céu, com suas nuvens, com o sol.

E foi o que também sentí, ao olhar pela janela do ônibus o céu, dividido entre duas cores, azul e bege. A visão de tais cores se misturavam com o topo das árvores e suas diversas folhas sombreadas. Sua textura de areia me fizeram mergulhar em um encanto profundo, que trazia o despertar de uma vida nova a cada dia.

Posso dizer o mesmo de quando chovia, e ouvia as folhas molhadas escorregarem pelas ruas, fazendo um som de água. E eu olho para o céu, vejo as gotas caindo, brilhantemente. Caminho bem lentamente, ouvindo meus passos.

Tem se tornado cada vez menos estranho estar comigo.
Sem medo, constrangimento, desrespeito, a ponto de estranhar estar com os outros, se não forem boas conversas, risadas, ou um maravilhoso silêncio.

Apenas me voltando para o que me traz sentido. E reduzindo estresses desnecessários, antes que eu volte as pedras e estoure minha cabeça em uma delas.

Mas mais estranho é estar no mundo. Saber de todos os problemas, injustiças e coisas dolorosas que ocorrem e olhar para o mundo como uma sonhadora, hesitante, alheia, alienada, desejando a natureza, a essência e o que houver de mais puro, sensível e profundo. Jogando as fragilidades na frente, e acreditando que as coisas podem ser diferentes.

Diferentes de que modo? Devo chamar de escapismo ou realidade? 
Foi o que me perguntei caminhando pelas ruas do centro da cidade. Pessoas à vontade, felizes, quase como em um sonho. Será ilusão, será? 
Talvez seja se esquecer dos problemas por um momento. Talvez seja um momento para se lembrar de tudo o que importa e simplesmente viver. Depende do ponto de vista.

E eu já sei o meu.
A realidade social dói, ninguém vai negar. Eu não vou. Sonhando, eu sei. E em nenhum momento, desde pequena, deixei de pensar no que eu posso fazer por ela, por todos, por mim. E sonhando, vou.

Com frequência eu viro para o lado errado da rua, mas depois de caminhar por muito tempo vejo onde estou. E volto.

Às vezes é meio difícil se regular pelas pessoas, coisas e mundo. Lágrimas, desânimo, respirações profundas, desatenção, gargalhadas, gritos, barulho, e tanto mais. E às vezes é bom demais perceber tudo assim.

Sentindo e pensando demais, é como me vejo.

Quando eu era pequena, passava quase todo o dia lendo, escrevendo e cantando. Um dia minha mãe, preocupada, parou na porta do meu quarto e me disse: menina, assim você vai ficar bitolada. 
Talvez não estivesse errada, quando paro para refletir sobre o modo como lido com a vida. 

Na realidade demais, escapando demais. E eu acho que esse escape é tão real quanto todo o resto.

Sentir o céu próximo de mim. É o estado de espírito que defino a vida quando tudo flui.
Passarinho não fica o tempo inteiro no ninho. 
E voa para longe quando o olhar se perde pela janela.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Ansiedade

Acordo assustada
Um pulo, faltam trinta minutos -
Perfeito para por toda a preocupação em dia
O que falta? O que esquecí? Onde errei?

Não quero sair
Chove
Assim como mais tarde eu venho a descobrir
Um temporal dentro de mim

No meio disso tudo
Uma mutidão
Que empurra, pressiona e sufoca
Meus sentimentos vem e vão

O estresse cresce
Eu sinto que vou cair
Tremendo
Uma dor no peito

Pareço queimar
Calor, muito quente
Tiro a roupa de mim
Tentando tirar todo o resto

O resto só aumenta
Muito, demais
Explode e sufoca
Não dá pra controlar

O coração não sabe lidar
Bate, acelera, acalma
Dispara, sem parar
Quase foge de mim

Assustada e desesperada
Não quero ficar só
Que alguém me ajude
Paralisei

As lágrimas escorrem
Dolorosamente
O hoje não foi planejado assim

O estomago também vem
Ele e o coração estão alarmados
Ataque
Queria fugir

Queria não existir
Que sentido tem essa realidade?
Um gosto tão ruim

Abaixo os olhos
É melhor não ver
Toda a realidade
Desse dia que não escolheu ser

Preciso de alguém que me abrace

Parece que assim vai passar
Com um simples toque
E acalmar todo esse vendaval

E que eu dê um tempo pra mim
Dorme, dorme
Talvez desligada
Esse coração que não para
Fuja pra outro lugar


Rápido
Antes que as lágrimas voltem a desabar

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Sobre o viver

Tem dias que você acorda e não quer viver. Acorda porque o corpo te obriga, a vida e a rotina te obrigam. Como se esperassem algo de você. Na verdade, é você quem espera.

Mas sabe que não consegue. Seria mais fácil não viver. Ao menos por um dia. Como seria não existir?

Não tentaria, não pensaria, não sentiria. Não faria nada.
Não desejaria. Não esperaria.
Não.
Nada.
Sequer respiraria.

Inquieta, inconstante. Mudando de lugar diversas vezes. Caminhando como se um rumo pudesse surgir.

Se pudesse, o que escolheria? Como seria?
Quem você seria?

Companhias voláteis. Desconhecidos pedindo informações.

Fuga, para o mato, para o sol. Silêncio. Só restam os grilos, os pássaros e as folhas que se movem com o vento. Abelhas.

É nesse nada, nesse vazio que me preenche, bem intensamente, que me escondo de mim. E me encontro.

E nesses dias em que me desencontro, tudo vem a perder. Pensamentos atormentadores surgem, para por tudo a temer. E doer.

Quieta, disfarço, finjo que está tudo bem. Deveria dizer a alguém? Adiantaria?

Parece que tenho que viver. Disseram em todos os lugares. Então me distraindo, seguindo, me obrigando, como quem muito quer, eu vou.

Atropelando, passando por cima de tudo - e de mim - vou viver. Porque a vida, embora minha, é forçada.

Por que parar? Um dia passa.

É o que dizem por aí...



Só não disseram como doeria sr você mesma a pessoa que te faz sofrer.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Desprendimento

Eu abri as feridas da vida, e esqueci de fazer o curativo pra deixar cicatrizar. Muita gente diz que eu sou forte, mas parece que eu só estou perdida, flutuando nesse mundo. Já era pra tudo ter ficado bem, e eu ter seguido com a vida, eu sei. Mas é como o metrô. A gente segue viagem, e vai parando e ficando tempo demais em algumas estações.

Não sei onde vim parar. Onde fui parar. Só sei que parei. Fiquei na tristeza, saudade e solidão. E flutuando comigo, vai o meu humor, que oscila em todos os sentimentos e pensamentos que me percorrem.

Sala da biblioteca. Branca. Silêncio. Sinto meu coração bater. Ouço os ponteiros do relógio. A dor parece fazer o tempo parar. Preciso de mais tempo para mim, para entender esse vai e vem que sempre para no bom e velho passado. E assim, as horas que pareciam não passar correm, porque o tempo nunca parece suficiente pra quem sente demais.

A caneta mancha a folha em branco, como uma série de memórias marcaram e registraram o que vivi. Culpa. Arrependimentos. Lembranças. Histórias. Sentimentos. Pensamentos. Para. Para. PARA!

Por que isso tem que me atormentar? Choro interruptamente, soluçando. Tremendo e tremores. Falta de ar. Acabo dormindo, como sempre a melhor solução. No dia seguinte, não. Não era um sonho, não voltei ao passado, nem esqueci de nada.

Os olhos grudados, não se abrem. Muito inchados após tanto choro. Me sinto acaba, destruída. A ferida dói. O filme do dia anterior dizia que às vezes destruir é um meio de recomeçar, uma segunda chance. Como se eu pudesse voltar no tempo...

Quando a coisa tem importância, tanto faz se era você do passado que você julga, ou não. Porque o valor da coisa se mantém. E a cabeça dói, dói há dias. Vai ver a dor do peito, tão destruído, precisou de mais espaço.

A semana foi horrível. Foi um existir sem existir. Viver por ter que viver, por existir um tempo, um espaço. Tudo tão acabado, parecia vazio, frio, insensível aqui dentro. Apenas suportando. Querendo tempo e espaço pra entender o que vivi até aqui.

Mas não dá. Esbarro em pessoas do dia a dia. Digo oi. Elas dizem "oi, tudo bem?". Corro, abaixo a cabeça ainda sorrindo e dizendo oi. Preciso evitar essa perguntar que queima, percorre tudo aqui dentro. Porque não tá tudo bem. Mas é só o que sei.

Ao menos os passeios do final de semana me permitiram fugir de tudo. Evitar, escapar, que é tudo o que sei fazer. Marcar um encontro comigo mesma parece ser demais.

Debates. Tentativas de argumentar sobre como o viver por viver, um viver sem querer pode se equivaler a morte, e por isso essa última é sempre uma saída a ser considerada. Não. Ninguém entenderia...

Por fim o encontro com um texto aleatório. Dizendo que para o fim, é necessária uma decisão de fim. Quis chorar. Foi difícil entender. Se consegui, é que posso eu mesma dizer: para, acabou. Não adianta. Não tem volta. Fim.

Se bem que eu nunca gostei mesmo dos créditos finais, daquele "the end", de limitações. E faz sentido por isso estar sofrendo. Mas é hora de parar. Fim. Curativo posto.

É claro que as memórias vão ficar, a saudade vai bater e sempre a tristeza vai surgir. Mas a minha história não acaba aqui. Não pode acabar. Se já não acabou...

Um tempo atrás essa dor no peito que parecia um vazio me deixava na dúvida se era o fim, ou se era paz. Acho que agora entendo que é porque eu cheguei no meu limite, eu cheguei em um fim. Acabou mesmo.

Mas se é preciso destruir pra recomeçar, e se sou eu quem decido quando por um fim, olha eu aqui. O sono até parece passar. Posto o curativo, posso seguir. Seguir, não continuar. É difícil recomeçar, quando a gente sabe e tudo o que viveu e aconteceu, que não volta, é triste e não tem solução.

Só também não dá pra viver disso.

Parece que o difícil mesmo é eu me desprender. Aceitar que o passado e tudo o mais se foi. Que você se foi. E eu tenho que deixar ir. Sem temer, porque do nosso amor e da nossa história, nada vai mudar.

Bom, leva um tempo pra cicatrizar. E a gente vai refazendo os curativos. 

Quando cicatrizar e a ferida fechar, lá fica a marca. E às vezes a gente relembra como é que tudo aconteceu...

Coração acelerado enquanto as lágrimas escorrem. Me sinto tão só. Um abraço agora faria bem.

Bora seguir, e esperar com o que a vida vem...


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Flutuando

Será que estou flutuando
Sozinha e sem direção?
Vejo pessoas também perdidas
Inconscientes e na contramão

Tudo parece ausente
E eu so tento sobreviver
Desesperadamente, em silencio
Os olhos pesam, mas já não quero ver

Não quero entender
Não quero pensar
Só quero que tudo passe
Uma rota traçar

Me encontrar
Quando a dor passar
As lembranças esquecer
Quando tudo perecer

Dou uma volta
Respiro
O coração acelera
Nem sei como me sinto

Chorei demais
Queria pedir ajuda
Não sei mais
O que pode acontecer

Se vai mudar
Se vai passar
Já nem mesmo a morte vejo mais
Afundei.

Flutuo, presa, sem saída
Não dá mais
Acabou
Tanto faz