sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Sobre como nascer à espera da morte

Difícil é acordar em um novo dia
E perceber que o pior passou.
Você dorme esperando a morte
E acorda após ver o sol se por.

Difícil é cantar uma triste melodia
Esperando a sua hora dar
E acordar vendo um lindo dia
Da janela do seu lar.

Você sempre acha que entende da vida
Até ela te surpreender -
Quando pensa ter encontrado a solução para o fim
Você ganha, na verdade, um novo amanhecer.

Confuso - Peças que a vida prega.
O diferente, o misterioso, o natural
É hoje o que te move.
Simples, sentimental.

Fácil seria se tivesse percebido antes
Que não há nada de errado em você,
Que este mundo simplesmente não é igual ao seu.
E que você jamais vai viver se o mundo a você não pertencer

Fácil seria se aceitasse que aquele é o fim.
Quando é o fim? Este não há.
Só acaba quando nada mais se sente.
Mas quem protege o seu mundo sempre encontra a paz.

- 2010/1/2 (?)

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Sobre todas as coisas que há em mim (ou um adeus que é mais um até logo, banco sábio)


Eu queria poder escrever mais. Ensaio, invento, produzo palavras e frases na minha mente. Mas não sei porque tanto se perde, e nunca chega até aqui. Andei pensando muito nisso, nessas diferenças entre o interno e o externo, o quanto são verdadeiras, reais, o quanto fazem sentido para mim. Parece ser, então, esse o verdadeiro conflito da minha vida.

Eu fico realmente triste quando dou um grande mergulho interno e vejo tanta beleza aqui. Não como se não houvesse beleza fora, no mundo, mas como deixar transbordá-la? Como deixar que se manifeste? Sinto como se faltasse expressar, botar tudo pra fora, meus sentimentos, pensamentos, ações, escritas, canções, melodias, amor, beleza, quase tudo.

Andei mesmo pensando sobre qual o sentido da vida. O amor foi uma resposta maior. Me contemplou. Mas basta sentí-lo? Como torná-lo potência? Como o amor pode ser uma forma de viver, pensar e agir?
Eu também não sei. Vai ver é uma coisa meio que como a felicidade. Se resumem a momentos. Como a vida.

Na verdade, acho que a grande maioria das coisas estão se acabando, e posso ver melhor. Posso ir com calma. Posso ver dentro de mim.

A mudança me afetou mesmo bastante. Mas. Com todo o semestre e coisas ditas por aí. Fui me deixando afetar, me tornando negligente a mim mesma.

É por isso que teno pensado bastante e acho que até já disse: o que realmente importa?

Porque se a gente não tem um cuidado, a gente passa todo o tempo pensando, se preocupando, buscando mais coisa, a gente não olha pra gente, pras nossas coisas, pro que realmente importa. A gente vai deixando de aproveitar o que tem, e ainda pra perder o sentido.

É tão horrível, todo o vazio, toda essa perdição. A gente vai deixando de saber... Até quem a gente é.

É certo que ninguém sabe dessas coisas exatamente. Mas ter uma noção nunca vai mal pra ninguém. Por exemplo, sei de várias coisas que não sou, e fico louca da vida quando alguém me vem com isso. Uma das poucas supostas certezas era saber quem não era! Já é tão difícil saber quem sou, e me consolo sabendo quem não sou, e alguém vem e mistura tudo isso, tornando minhas poucas certezas em incertezas! Mas andando por aí, a gente também vai abraçando umas coisas que é.

E agora, pensando, tenho que olhar mais pra fora ou pra dentro? Quem sabe igualmente? Falta, então, um equilíbrio? Por que é que às vezes fico olhando pro negativo, e não olho para o positivo? Será que um punhado de positivo não pode afetar por aí e trazer mais positivo? O que realmente importa?

É como ia dizendo, as coisas vão mesmo se ajeitando e acontecendo, mas não dá pra só ir se acostumando, aceitando e ficando... Nem sempre dá só pra ir largando, abrindo mão de tudo, me levando ao vazio.

Um vazio até cai bem, mas meio que momentaneamente. Como agora, no banco sábio, a natureza, o silêncio, a simplicidade. A paz e o amor.

Tem, mesmo, coisas com que só me acostumo, deixo pra trás, e levo tudo tão a sério. Nada pode ser um sopro delicado a espera de que na verdade seja um?

Só é meio difícil também. Os conflitos, como o interno e o externo. Saio do silêncio, vou pra multidão, pro barulho, pra um milhão de acontecimentos. Hiperestimulação. Coisas que nem sei porque que são assim, porque não decidí, e meio que nem nunca quis.

Vou dizendo que é mesmo esse o meu conflito. É bom saber. Mas como vou lidar ou vou lidando, é que não sei. Não queria toda essa ansiedade, toda essa turbulência pra viver. Posso mudar? O que é que eu posso fazer? São coisas que se deram há muito tempo atrás, que me acompanham, embora só me dê conta agora. E é bom saber: isso não é meu, não faz parte de mim.

Nem sei pra onde isso vai, pra onde a vida vai me levar, pra onde vou levar esse escrito aqui. Talvez para o lugar, que contempla sentido; talvez pra qualquer lugar; talvez pra lugar nenhum. E a vida vai correndo um bocado engraçada.

Ainda restam uns dias, mas o ano acabou. E aconteceu muita coisa, mesmo. Que eu até perdí a noção do tempo. Que eu até perdí a noção de mim.

O que é que vou querer, o que poderia ser diferente... Meio que fica pro ano que vem. Talvez seja tempo de aproveitar um pouco mais o que rolou, processar esse tanto que aconteceu. É bom também. Deixar fluir, sentir a beleza as coisas, navegar. Senão, de que valeu? Às vezes é bom fechar uma coisa antes de olhar pra outra. Não sei se consigo, mas eu quero mesmo é tentar.

Talvez seja por isso que eu esteja sentada aqui, no banco sábio, no lugar em que passei a maior parte do tempo. Ou passo, há alguns poucos anos já. Não vou voltar aqui ainda este ano (que eu saiba) e não será (ou não precisa ser, uma despedida. Mas parece que é bom marcar esse momento, que marca tantos outros, que dá tanto significado. E acho mesmo que acredito mais em até logo do que em adeus.

Até logo, banco sábio.


Post scriptum de enlaçamentos e afetamentos:

E foi com você, meu amor, que ví o por do sol, você que me faz sentir espontaneamente todo o amor que existe em mim. Entardecer que me faz ver, no horizonte, luz. Esperança.
E encontro a plena paz, silêncio, calmaria, que habitam em mim e compõem quem sou.

Fui, mesmo, costurando todas as coisas que existem em mim. Com agulha e tantos barbantes, vou produzindo um trançado, que é a vida.
E pensar, mãe, que essa era sua atividade preferida.

É bom ir assim, tecendo alguma coisa, que pode se transformar em beleza ao final, ou pode ser desmanchada e refeita tantas vezes. Tendo a linha, que sou, tranço uma vida que puder sentir.

E faz sim, sentido, falar em amor e em quem se ama, quando se fala em adeus. Me faz pensar em todas às vezes em que ao final de uma ligação disse "tchau" e poderia quase ter sido ouvido um "te amo". Porque talvez fosse mesmo. Ligações que a gente faz pros outros, queridos. Pra gente mesmo. Pra vida.

Olhos banais

São coisas banais da vida, que passam despercebidas por nós, mas que vez ou outra a gente repara nessas coisas e elas acabam fazendo diferença em nossas vidas. Da última vez, eu estava entediada quando reparei em um lindo par de olhos - com certeza os mais lindo que já havia visto. Fiquei encantada, por mais que não soubesse exatamente porque. Todos diziam que eu estava louca, que eram olhos quaisquer... Mas eu sabia que não.

No fim, deixei passar, não me permitiria fazer nada muito fora do normal, não via graça. Contudo, nunca conseguí esquecer aqueles olhos que sempre pareciam caminhar comigo desde então. Olhos profundos, intensos, que brilhavam, que muito escondiam. Olhos belos onde me perdia. onde me achava... Tudo de uma vez.

E ainda bem que esse par de olhos também me viu, e o dono quis me presentear com eles. Olhos que mudaram a minha vida, que vieram para ficar durante um bom tempo. Olhos que me olham, que me sorriem, que me abraçam, que andam de mãos dadas comigo e que hoje cuidam de mim.

São olhos que me dão um novo sentido para as coisas.

Um aviso: cuidado com as coisas banais, que de repente podem te pegar distraído e te virar do avesso.

- 2012

Às vezes você tem a sensação de que tudo vai chegar ao fim, de que não há mais nada a ser feito na vida: nenhum plano, sonho, vontade... Nada. Mas existem coisas e pessoas que podem, também, em um instante, fazer tudo mudar. Um sorriso bobo, uma pessoa, boas risadas com alguém, um abraço, o céu ou qualquer outro pequeno detalhe pode fazer a diferença. O modo como se vê e se está aberto para as coisas também influencia... O mais importante é você, como se sente, o quanto se gosta, o quanto seu jeito pode contagiar alguém.

A vida é realmente feita de momentos: alguns bons, alguns sem sentido, outros ruins... Mas a essência é que pode te trazer força. Como você vê o mundo hoje? Sendo pouco materialista, o que importa é minha relação com as pessoas e com a natureza. E assim, posso me sentir privilegiada: sou apaixonada pela vida pelo que ela é de verdade. Uma doce ilusão.

Gosto de viver voando, mas é com muita frequência que não consigo manter vôo. As coisas às vezes parecem ser mais difíceis por eu meio que não me encaixar naquilo que a sociedade diz ter se transformado. Mas vou aprendendo, me mantenho em silêncio ou falo somente quando necessário... E logo as pessoas e a natureza vem ao meu encontro. Hoje, já me conformo melhor de que não vou viver em um mundo perfeito, onde posso mudar as pessoas e fazê-las acreditar naquilo que eu vejo com o certo, mas posso me tornar uma peça de suas vidas, bem como elas podem na minha.... E assim, vou daqui de cima do céu, vivendo o que é belo, fazendo o que eu gosto, e sendo como sou.

- 2012
Olho para o céu e vejo que as nuvens escondem o sol, que consegue aparecer muito pouco... Bem como eu escondo as coisas que sinto. Será por medo, será por motivo algum? Não sei explicar o que acontece, mas há algo automático em mim que faz com que eu me feche, prenda e guarde isso, como se fosse somente meu. E eu acho injusto fazer isso comigo, com as pessoas... Não deveria ser um direito sorrir tendo a beleza que é o espetáculo que ocorre quase todos os dias no céu, quando o sol surge no meio das nuvens?

E, com isso, o céu fica vazio. Tudo vai embora... Bem como os sentimentos e pessoas que eu deixo passar. Às vezes sinto um tanto, mas às vezes não sinto nada, como se fosse uma consequência. E eu sinto que, se eu não fizer nada, não me esforçar para mudar isso, continuará a acontecer. E o meu grande receio, mais do que demonstrar e confiar nas pessoas, é perdê-las... Um pouco contraditório, ao que me parece.


Todos somos como um céu, com um coração representado por nuvens, cheios de sentimentos, como um sol. Mas o sol nem sempre espera... A função dele é te fazer feliz, porém se você demonstra não o querer e não se importar, tende a acabar como um céu sem nuvens e sem sol, que aos olhos das pessoas são tristes e feios, e poucos querem se aproximar.


Um fato sobre os céus vazios, que poucas pessoas sabem: pessoas são capazes de enchê-los novamente de sentimentos e alegrias, basta que fiquem por perto.

E que o céu desta vez venha diferente.

- 2012

Uma descrição

Parece que passa tão rápido.
O dia.
As horas.
Os pássaros.
A vida.

Parece que demora passar.
O frio.
O calor.
A tristeza.
O sabor de chocolate na boca.
O amor - quando a gente pede pra que ele fique.

Parece que há momentos em que vou desabar.
Quando sonho.
Perto de você.
Quando durmo sem dormir.

Parece que só faz sentido quando eu acredito.
O tempo.
Deus.

Parece fazer diferença em minha vida.
Lembranças.
Amigos.
Família.
Música.
Abraços.
Sorrisos.

Parece ser a minha fuga nesse mundo.
Andar e cantar sem destino.
Conversar sozinha.
Estudar.
Olhar o céu.
Escrever.

Parece ser meu destino.
A morte.
Imaginar aquilo que eu queria viver.

Parece que sempre vai tirar lágrimas minhas.
Um filme.
Falta de consideração.
Patadas.
Ver alguém chorar.

Parece me deixar com mais saúde.
Sorrir sem motivo.
Estar perto de quem amo.
Ir bem nas coisas que faço.
Ajudar as pessoas.
Ler.

Parece que passa pra não ficar.
Detalhes vistos pela janela de um ônibus.
Pessoas desconhecidas.
Saudades de você.
O sabor de uma comida.
Irritações.
Todo e qualquer momento.

Parece fazer sentido sem fazer sentido algum.
Esse texto.
Eu.
Você.
O mundo.

- 2012

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O marasmo do sentido

Eu queria poder esperar até amanhã para escrever. Mas eu não sei esperar. E até amanhã ainda correrá muito tempo. Tempo que não sei se posso suportar. Me suportar.
E por falar em tempo, a primavera nunca vem, a primavera só durou uma semana. Primavera, o que aconteceu com você?

Não sei de primavera, não sei de um sentido para a vida. Só sei do grande nada que sou. E do grande vazio que sinto.
Também não sei se sei como estou, estou num grande oceano. Sinto as águas se moverem para todos os lados e eu, de algum modo, consigo boiar, e manter a cabeça pra fora. Talvez o que me mantenha ainda seja o amor que, guardado em mim, é potência de vida. Inspiração. E todas essas palavras que a essa altura seriam tardias, não fosse também o seu amor, que caminha ao meu lado e me abraça bem forte.

Mas as lágrimas escorrem quando você se vai. 

É triste mesmo, quando a gente se sente só e sem sentido na vida. E eu sinto medo. Como uma criança indefesa. Ou uma criança é o que gostaria de ser? 
E eu poderia, mesmo, criar uma porção de coisas, e viver. Mas ao criar um sentido, eu também o vejo como um sentido vazio, porque sei como as coisas são e fico querendo que sejam de outro modo.
E eu posso criar um sentido? Há algum sentido?

Talvez o problema seja querer olhar pra frente sem viver o agora e olhando para trás. Me encontrei pensando nisso porque uma tecla ré do meu teclado, uma das mais altas, não funciona. Porque eu não posso querer voltar querendo seguir. Não posso. 

E também não posso querer seguir com algo que não seja o que realmente importa...
Ah, sim, o amor.

O amor é aquilo que habita em mim, embora não consiga se expressar, porque eu sou apenas uma flor murcha. 

Eu mesma nem sei se nada. 
Talvez porque seja tudo meio diferente, e mudanças são difíceis. A gente fica meio desprotegido, desamparado. E eu só quero acreditar que é isso, que é cansaço, e que não é o fim. É...

Mas eu sinto tudo rodando, muita coisa e tudo intenso, e meu corpo cedendo, só sendo demais. Às vezes, é demais. E a vontade é de bater a cabeça bem forte contra a parede, ou quem sabe pular da passarela, porque simplesmente sentar em um banco, em silêncio, não tem sido suficiente. Porque estar só tem sido sem de fato ser um grande marasmo. Eu queria querer gritar bem alto, ao invés de enfiar a cabeça no travesseiro e chorar até faltar ar. Eu queria sofrer um grande apagão e esquecer de tudo por algum tempo, como sempre fiz. Mas tenho sido incapaz mesmo disso, e tenho que me levantar todas as manhãs e me deparar com uma grande bagunça nos lençóis de quem revirou na cama sem dormir a noite inteira.

Às vezes, parece que a vida é só um grande caminhão que passa sem me ver e me atropela. Eu sobrevivo, mas não sei lidar, eu fico paralisada, observando tudo passar, tudo que passou e sem saber se algo novo há de passar. Como se tivesse morrido para mim mesma neste atropelamento, mas estranhamente estivesse viva. O corpo se manteve, mas a alma é só um fantasma.

Invisível. Buscando a travessia, a passagem, que leve pra qualquer lugar que não seja ficar e estar aqui. 

Mas estou aqui.

E mesmo escrevendo, não encontro nenhum sentido, só vejo um monte de palavras agrupadas e perdidas, no fim formando um grande nada. O grande nada que sou.

E mesmo assim, eu também não paro de seguir. E só paro quando o amor deixar de existir em mim. E isso, eu sei que não vai. De criança, eu digo que não vai. Pode até doer, posso até sofrer, mas eu não posso deixar de acreditar no amor. É o que sinto. É talvez o que faça sentido. Amar.


A verdade mesmo, mãe, é que amanhã é seu aniversário. E eu queria que pudesse ser real. A sua presença aqui. Bem como as respostas que sonho para as cartas que te escreví todo esse tempo. 
Se ao menos a correnteza desse mar me levasse até você, seria um pouco menos pior. E eu vou tentando me agarrar a outras pequenas coisas, até que esse dia chegue...

Mas a gente vai se falando. Porque eu vou te escrever. Não vou te esquecer. E eu vou te amar, e vou amar com esse amor que você me ensinou.


E pra quem me ver sorrir, não esquece de olhar nos meus olhos, esses que eu escondo, e carregam o peso de um grande marasmo, a tristeza nos olhos de alguém que gostaria de existir na primavera que há....