sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A curva por onde preciso passar

Os grandes heróis já nos diziam como ser bom, ser justo, pode ser custoso. É um desejo forte que me contamina, e luto para assim viver.

Mas nem sempre dá para suportar. Mesmo o bom. Nos cobra, possui. Nos rouba, nos toma. Faz doer. Faz faltarem energias, não dá pra dar conta de tudo. É um viver que parece tomar o viver.

E o que fazer?

Vejo uma cidade caótica. Pessoas para todos os lados, muitos transportes, e muito cansaço. As pessoas já não se olham, já não se importam, já não querem estar. Elas são, mas não estão. Enfim.

É por isso que eu gosto do metrô. Quando não dá mais, eu apenas espero, seguro e controlo, até o momento em que posso estar. Só. No meio da multidão, posso me abandonar de tudo e todos, posso me despedaçar, fazer sem me importar. Pois vão olhar e não vão falar, se aproximar, ajudar.

Então apenas sento em um canto, abaixo a cabeça e deixo as lágrimas rolarem. Deixo o peso do mundo correr, escorrer, sair. Não preciso guardar isso tudo, mas também não preciso que saibam que assim o fiz.

Às vezes insatisfeita, encosto em outro canto, em pé, olho para a janela, e me deixo novamente desmanchar. O que me acontece?

Vejo uma multidão, os meus dito iguais. Aqueles que gostaria de ajudar e abraçar. Eles também já não aguentam mais, e querem ir para casa. Passo por eles rapidamente. Vejo vultos na multidão, os olhos correm por todos, e de nada sei mais. Quando tudo corre, sinto o tempo verdadeiramente passar, em ao menos uma vez no dia, na vida.

A janela do metrô me ajuda a ver. Ouvir. Sentir. Há tantos barulhos na cidade. Carros, buzinas, murmúrios, gritos, risadas, vozes, luzes.

Há tanto barulho na cidade, mas há também tanto barulho no meu coração. Ele transborda e quer explodir. Ele pertence a um corpo, a uma mente, a uma alma, a um ser, a alguém que já não aguenta mais.

O caos não me pertence. E eu quero morrer. Como quis tantas vezes e em tantos anos. Nos maus dias, é tudo o que desejo. Um desejo ambivalente. Assustador, amedrontador, fatal. Perfeito, solucionador, prazeroso. O que me acontece?

Mais ambivalências. Não suporto todo os peso, e meus olhos bem sabem. Eles tem todo esse peso neles. Mas quero ser. Ser o bem. O bem a quem.

Eu sou feita de pessoas.

Como tudo tem desabado, não quero mais ser.

Apago a luz. Quero dormir infinitamente. Não consigo dormir.

Acordo com o sol. Sinto novas esperanças, o peito enche novamente e podemos fazer muito, fazer o correto, o justo, o bem.

Me falta entneder que não faz mal. Se é como quero ser. Há uma curva que atrapalha.

O cansaço traz a paz, mesmo com a falta que você me faz. Eu me preencho de fazer e, bem... Tá tudo bem.

Uma aula que nada compreendo, e que nem quero estar. Mas que espero me levar a algum lugar.

Lá longe escuto os pássaros, alegres entre a natureza, e um sol, uma luminosidade, preenchendo os olhos. É a esperança que tenho de que este mal, essa raiva, este ódio que tem me preenchido vai passar, porque ele não é meu.

Eu só quero o bem e o amor. Viver de bem, e a paz. E um dia encontrar você. A morte e o cansaço já tanto faz. E eu passo pela tempestade como o metrô pela multidão. Passa, passa. Já passei, já passou. Vai passar.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Confusões internas em uma segunda de maio

Ônibus. Ouvindo aquela música que entra na alma e preenche tudo. O passageiro do lado direito se levanta,  e surge um banco vazio ao lado representando a solidão e a tristeza sentida naquele momento. Do lado esquerdo, o sol invade e me cega, como a trazer paz e esperança. É só uma velha confusão, aquela companheira atormentadora que voltou. É a velha sensação de não saber se isso é paz ou angústia. Parece contentamento, mas como é possível se traz dor no peito?

Eu me perdi de mim. A vida só tem me arrastado há um bom tempo. Como fez uns anos atrás. Belo ciclo de se viver. Talvez eu quisesse um tempo, sem querer tê-lo. 
Basicamente é o que tenho feito nesses últimos meses. Falta vontade pra tudo, e mesmo feliz com coisas boas que tem surgido, nada parece estar no lugar. E fujo das coisas que tenho pra fazer, que quero fazer... Fujo da vida. Sento em um banco, e me ponho a olhar pro nada, a olhar pras árvores e pras pessoas que passam. Talvez na espera de aparecer uma rápida solução, que inunde tudo, mas que me tire desse afogamento que me tem sido a vida.

Quando canso de esperar sentada, deito no chão, e deixo o sol invadir. O sol não só cega, como também esvazia a mente. Mas não a alma. Quando ele me permite enxergar, posso ver as árvores, lá no alto, altas e paradas, que também se deixam levar pelo tempo passar, muito indiferentes ao que acontece ao redor, e às vezes até me trazendo o desejo de ser uma também. Embora, às vezes, eu seja.

Quando canso de esperar deitada, caminho em meio ao verde, também sentindo o sol, sol misturado com o vento, ora me esquentando demais e ora me trazendo arrepios. Essa caminhada me fortalece várias esperanças, porque ela me compreende, e se apresenta toda ambivalente.

Essa confusão toda, que já conhecia de antes, ganhou novos sentidos conforme ví que tamanho tinha o mundo. Abraçar o mundo já não era tão mais possível, embora eu quisesse, e agora soubesse como ele é grande, e cheio de possibilidades. Mas não posso, tenho que aprender a me limitar. 

Como novata nessa de viagens, também não sei me limitar, e vou pro extremo de nada me permitir. E a vida só vai...

E novas ambivalências. Sou mais mundo que eu, e mais eu do que mundo. Com diferentes conceituações de eu. E de mundo.

Em outra caminhadas com mais pensamentos que tudo controlavam, as pétalas se espalharam todas pelo chão. E se eu pudesse, te traria de qualquer lugar que pudesse pra dançar. Você, que me transborda de saudades e faz  com que eu sinta uma imensa carência, necessidade de atenção e abraços sabe quem é você. Todo mundo sabe quem é você, porque também  todo mundo sabe que dia foi ontem. Você é quem me dava sentido e razão, é o grande amor da minha vida.

As lágrimas ainda escorrem. E a vida me carregou. Tudo mudou, o tempo passou, várias coisas me surgiram na vida, até eu mesma mudei. E não mudei. E me sinto a mesma garotinha perdida, de anos atrás, criança, que não entendia nada do que acontecia. 

E essa sensação aumenta, quando me vejo no mesmo ponto do passado, sentindo tamanha solidão, sensação de paz com o peito ardendo, desejo de dormir durante o dia e não a noite, e nada mais fazer, misturado com alguns pensamentos de morte. 
Reviver isso tudo gradativamente me leva ao desespero. Desespero de quem passou por isso e teme não ter superado. E teme que venha de noite, e mais forte, ou mesmo que igual. 

Muito disso vai passar quando eu me perdoar, sabe-se lá porque motivo. Só sei. Porque as lágrimas sempre surgem diante dessa ideia. Muito disso vai passar quando simplesmente não sei.

Agora tenho sempre esperado um tempo pra voltar pra casa. Esperando tudo passar. Esperando o momento de enlouquecer ou de fugir. 

Mesmo as palavras aqui perderam seu sentido... Ao despender demais energias ficando alheia a mim mesma e ao que sinto. Dizendo que está tudo bem e fazendo brincadeirinhas enquanto tudo aqui dentro explode.

Pode ser medo de assumir a vida e um eu, de me deixar ser, e me deixar limitar. Decidir. Expressar. Pode ser só fase da vida. Pode ser. 

Seja o que for, que seja logo. Já não há mais peles no dedo a se comer. E as energias estão em baixa nesse corpo e nessa alma que chamo de minha. 

E que seja cedo, e não me julguem por ser assim, porque eu já faço o suficiente pelo mundo. Grande culpabilização. 

Fecho os olhos. Lembro da casa da esquina da minha rua. Tem uma árvore maravilhosa que cobre toda a rua. Desejo de passar por ali, caminhando com uma bicicleta, e apenas estando tudo bem. Sorrindo. E a liberdade chegou. Posso até soltar os braços e abrí-los, quase a voar.

Devaneios e alucinações. 

E quem sabe abrir os olhos e acordar com o sol.



segunda-feira, 14 de março de 2016

Tempo de viver

Acabo de ver uma pomba branca. Não toda branca, embaixo ela esconde traços pretos. Mas é linda. Isso me lembra também que parece que acabei de tomar veneno.
Não um veneno que mata, mas um que tortura, que apresenta efeitos bem lentos.
Um tanto complicado assumir isto, mas não sou a única que acabou de tomar veneno. Basta pensar no que tem ocorrido.

O fato é que cada um tem seu destino. Mesmo? Há mistérios demais nisso.

Um dia desses caminhava em linha reta na calçada, em direção ao ponto de onibus que me leva para casa, e me pus a pensar nisso. Porque o meu destino era ir para casa e realizar uma série de tarefas. É o que eu queria? Talvez. Era o meu destino? Meu destino final era ir para casa, mas meu destino de realizações era ir para um outro destino...

Todos tomamos veneno. Vamos cuidar da casa e trabalhar e estudar e perder horas e horas dentro do transporte porque é o nosso destino. O que chamamos de destino é o mais simples veneno que poderíamos ter tomado.

As crianças brincam na rua. Elas gritam e aparentemente se divertem. Será destino? Elas podem apenas esconder a frustração que carregam dentro de si.
Ao menos comigo sempre foi assim. Enquanto por dentro sinto o peito rasgar de angústia e dor, que me fará ter uma crise de choro antes de dormir, quando estou só de fato, durante a luz do dia e da noite de um mundo social, no qual me sinto obrigada a agir como se fosse normal e estivesse feliz.

Normal? Esse estado fugiu de mim há tanto que nem sei se o conheci.

Eu tomei um veneno e agora tenho um problema que não posso compreender. Eu tomei um veneno e nem sei se ele se chamava destino ou se era uma garrafa de veneno apenas cheia de água.

A noite, quando o sono já foi há muito, e não consigo dormir porque tomei uma xícara de café no fim do dia, e não é mais possível me revirar pela cama e bagunçar mais e mais o lençol, eu caminho por um corredor escuro.
Esse corredor é frio, e nele se descobre que se tomou veneno. Porque nele se pode obter respostas, se compreender que todos tomaram veneno.
É nítido apos se caminhar pelo corredor, pois se vê que a angústia está ampliada devido a falta de interesse de todos, uns pelos outros. É um alheamento grande demais, também disfarçado por atitudes interessadas. Diga seu problema, e veja quantas sombras restarão ao lado seu. E o processo é muito mais longo e duro, quando se abre uma ferida, e a expoe, ao claro, a luz, ao mundo, a vida. Guardada, apenas comigo, que sei que tomei veneno, era apenas desconsoladora e incomoda. O grito tentava sair, mas estava aqui.

E agora, com tudo transparecido, que me resta fazer? Preciso de um tratamento, ou de um fim.
Talvez eu so precise de amor e atenção. Talvez eu não queira sentir a dor da solidão que fica depois que todos vão embora (ou que está presente mesmo quando não estou só).

Esse ano já choveu muito. Na cidade, e também no mundo que é a minha alma. Ocorreram alagamentos e infiltrações, dificuldade de se escoar toda a água que esteve caindo.

E agora há uma grande nuvem escura, escondida em algum lugar, talvez preparada para fazer chover, ou que, por fim, escondida, vá embora e não mais volte.
Será?

Não, a chuva tem que existir.

O veneno que tomei era um pouco mais leve, era concentrado de pessimismo, mas sabia também procurar a luz.

E a dose de destino me permitiu encontrar quem não estivesse desinteressado por mim, que não apenas quisesse fazer consumo de energias de alguém que ás vezes nem a tem.

E eu encontrei um grande amor, que pode me ouvir, que pode usar o rasgo do peito pra preencher grande parte com luz, paz, amor. Um amor que apenas me abraça enquanto as lágrimas escorrem pelos seus ombros, em meio a uma grande multidão. Que me beija, me olhando nos olhos, dizendo que tudo ficará bem. Que me dá carinho, me dando forças para mais uma semana. E o veneno que tomei vai saindo aos poucos, me fazendo querer ajudar a quem também o tomou.

Talvez ainda chova nesse período, e em outros, mas eu tenho um amor, e junto com ele, sonhos, que me tiram do grande escuro e vazio que corre dentro de mim, quando o veneno tenta se espalhar.

Meu destino está perto, está chegando, mas não preciso correr, não preciso sequer desembarcar nele, porque de nada vale um destino se não me for sabido por qual linha reta eu quero caminhar -se é por uma linha reta que quero caminhar. Talvez eu possa apenas ser como a pomba branca, que circula com pequenos passos e repentinamente sai voando, que não se importa com veneno enquanto ainda há tempo de viver.


quinta-feira, 3 de março de 2016

Sobre janelas e relógios

Mais um sobre as férias. Última semana. Fora de casa. Passear, fazer tudo passar. Muito bom. E a janela do quarto em que estou, não tem grades, não tem alarme. Não há proteções para nada, não há problema de algo novo chegar, ou se algo velho sair. Para quem relaciona férias com renovação, perfeito.

Essa janela tem uma vista linda para o mundo. Uma vista do natural, em que se vê o sol, muitas árvores, os pássaros tantos que passam, a noite e a chuva que cai. Uma vista de quem reflete, que pensa em tudo que acontece.

Uma porta para a liberdade representa essa janela. Por ela eu posso fugir para outros lugares, e eles serão como eu desejo, pois eu os construí.

Por outro lado, não há proteções. Não pode então essa janela trazer mal estar?

Eis o valor contraditório da liberdade.

A liberdade é tão cheia e grandiosa que se torna vazia de sentido. Ela desprotege, pode nos fazer buscar o que não fora procurado.

Mas ainda assim, é muito boa a sensação de saber que a minha janela está desprotegida, e me permite ganhar o mundo, tê-lo a minha frente sem impasses.

E essa tal liberdade tem lá suas semelhanças com a cura. Ela cura e descura ao mesmo tempo.

Mas também depende, já que a descura pode ser a cura. Sabe-se lá. A gente nunca sabe certas coisas.

A cura às vezes pode não ser sarar de algo. Pode ser um nível menor, tipo a sensação de liberdade. Ou pode ainda ser o aprisionamento a algo. Depende do curado.

A minha cura eu ainda não conheço. Não sei se a conhecerei, se terei uma, se preciso, se quero. São tantos níveis que cura é bobagem.

Bobagem, mas não quando se tem a ilusão. Você tem uma janela para o mundo e acha que venceu, tem forças, energia e é o suficiente para seguir. Você está livre e é capaz de viver tudo o que quer e como bem entender. Bobagem.

Suas energias podem ser limitadas pela sua concomitante falta de energia. Alegria pela tristeza. Satisfação com sensação de falta de realização. E por aí vai. É como uma onda que carrega tudo, parece tudo resolver, mas que na verdade foi ínfima para o tamanho do mar, que já existia e nada era capaz de extinguir a sua força.

É vontade de morrer, é choro, é deitar e nada querer fazer, nada conseguir mover, mesmo quando se deseja, se é consciente de que é capaz.

Apenas só não depende da gente, não é do nosso controle. Controle de quem, então? Duma boba janela?

Essa semana eu perdí meu relógio. Guardei e não acho mais. Tristeza por perdê-lo devido o seu valor material. De resto, nunca gostei de um, exceto pela sua frequente funcionalidade.

No meu quarto tem um relógio na parede. Ele fica sempre parado. Meio dia, meia noite, tanto faz. Prefiro uma data completa. E vivida. Mais bobagens.

O tempo passa, o espaço passa, eu passo, todos passam. Que importa? A janela está lá, e o meu relógio também, em algum lugar que não no meu pulso.

Eu abrí a janela por muitas vezes, para sentir o ar e o gosto que tem a vida. Mas também já quis abrir os pulsos e ver se era essa a saída.

É tudo bobagem, não há resolução ou cura.

Mas está tudo lá, e o mar está calmo.
Às vezes os pingos de chuva o agita, mas ele não se importa. Deixa tudo passar. Ele acha que tem o controle, que tem liberdade, que tem proteção.

Iludido mar.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Até quando?

Às vezes as ideias nos surgem de momentos não esperados, como em brincadeiras. São guardadas, e podem ser utilizadas em um momento certo. Não tão certos, porque talvez nem haja um,

Sei o que escrever. Mas algo me faz enrolar desde as três da tarde.

Até quando?

É uma pergunta que sempre faço a uma amiga.

Mas hoje ela se volta. Até quando vou ter certas atitudes?

Se eu quero escrever, sei o que escrever... Até quando isso será adiado?

Eis a pergunta.

Hoje teve matrícula na faculdade. Não minha, mas de novos alunos. Meus amigos e eu fomos. Ficamos sentados conversando. Era exatamente o que queríamos?

A minha matrícula foi ano passado. Quando cheguei e vi aquele mundaréu de gente cheia de tinta, música alta, um receio enorme me dominou. Mas queria participar. Era um querer não querer.
Quando saí da matrícula, não tinha mais ninguém. Me senti aliviada da angústia? Não, nesse momento ela sequer existia, tamanha a decepção.

Saímos dos tempos horrorosos e assombrosos de ensino médio para os de faculdade. Maravilha.
Ao menos dessa vez tenho amigos desde o início, e não a partir do último ano.

Até quando, até quando?

É a pergunta que faço para minha amiga, sempre que ela faz algo em meio a nossa inesgotável corrida pelo curso. Atrasos de horários, de textos, de trabalhos, estudos para prova. Anotações que se perderam nas aulas, surgindo em seu lugar desenhos. Histórias engraçadas vivenciadas por ela e sua família.

Até quando?

Calma, nem é tanto culpa sua.

Ameniza a dor, a culpa, as tarefas, o tempo. Ameniza a vida. Traz a paz.
Esquece.

Até quando vamos deixar esse desanimo se aconchegar em nós. Até quando vamos deixar o tempo passar. Até quando vamos deixar tantas tarefas surgirem e nos amordaçarem. Até quando?

Até quando os receios e angústias tomarão conta de nós. Até quando sentiremos que incomodamos e invadimos um espaço alheio. Até quando adiaremos e ignoraremos e deixaremos de fazer aquilo que importa para nós. Até quando?

Até quando isso se chamar vida. Porque as coisas são assim.

Enquanto isso, amiga, vou continuar te peguntando. Quem sabe ao longo do curso isso não melhore. Isso resposta. Ou isso situação. Até lá, por que se preocupar? Será assim e já não há muito o que fazer.

O que importa é que somos e existimos. E que hoje te ví e não precisei dizer isso. E amanhã, é seu aniversário.

Calma. É só o segundo ano. Vai piorar. E pirar

Afinal, estamos vendo tudo do jeito errado, e as coisas certas não estão sendo vistas.
Nem importa.

É seu aniversário e eu só quero que você irradie plenamente, não só com as pessoas, mas com você mesma. Vai ficar tudo bem.

Vai.

Até quando, Juliana, até quando?

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Chuva com gotas de fé

Sexta-feira é o dia conhecido sempre como aquele último da semana, em que chegará o final de semana e supostamente descansaremos. No meu caso, estou de férias, e na maioria das vezes não consigo parar. Quero dizer, mesmo aquilo que pode ser dito como atividade prazerosa conto como um fazer algo, produtividade.

Atualmente, a sexta tem tido um gosto diferente. Um gosto de produtividade ainda maior. É o dia em que faço muitas coisas: coisas que planejei para o dia, as que acabei atrasando e ainda adianto algumas. É estranho, mas é algo como: viva, vamos descansar, mas não largando tudo. Vamos descansar garantindo que tudo estará no lugar.

Na verdade, como disse. Tenho a sensação de nunca descansar. Mas será preciso mesmo descansar? Ou será que alguns momentos do dia garantem aquilo que se chama descanso?

Enfim.

A última tarefa das sextas tem sido cantar na igreja. E essa sexta foi especial.

Falar sobre igreja sempre gera uma série de confusões e preconceitos. Olhadas tortas. Mas não me importo, porque sei muito bem quão grande é a minha gratidão por frequentar este lugar. E o quanto não posso largar isso, já que um ano distante me fez tão mal.

Renovei as energias. Afinal, que descanso é esse que ocorreria sem ter alguma renovação? Gratificação?

Estava já plenamente contente, pois havia lavado a alma. Tudo dentro estava calmo e silencioso.
Então uma surpresa ao ir embora.

Algumas pessoas me apressavam, pedindo para que eu guardasse os equipamentos logo para que não tomássemos chuva. Chuva? Foi então que ao saber desassosseguei.

Odeio guarda chuvas, capas, blusas, quaisquer frescurites que funcionem com barreira entre a chuva e eu.

A chuva cai maravilhosamente do céu, como se fosse um espetáculo. Simples. Único. Busca atingir a tudo, a tudo lavar. Por que evitar?

São pingos. De água. Água que lava. Que dá vida. Que alegra.

Pronto. Agora que chovia, podia ir embora. Que banho de chuva! Lavando agora por fora, lavando e garantindo que a alma estivesse lavada.

A água, embora de início gelada, agitando, depois traz grande calma, contentamento.
Caminhava lentamente, cantarolando e dançando na cabeça. A leveza era grande, mas não suficiente para que eu vencesse a vergonha e pudesse me soltar.

Mas já estava solta, pela chuva que lavava e inundava. Limpava o que não prestava e preenchia o que necessitava.

A vida tem sido incrível comigo. Ou terei eu permitido?
De toda forma, nos últimos tempos só tenho tido alegrias, apenas possibilidades de agradecer.

Se não bastasse essa maravilha de banho, então, sábado fui a um evento de carnaval da igreja. Nada demais, mas uma grande oportunidade para quem não sai de casa e não tem nenhum ânimo para sair. Não sei bem o que me ocorre, mas uma força enorme me move sempre a ter muita alegria para sair quando se trata da minha fé.

Primeiramente a missa. Fiquei mais ao fundo, já que não costumo ir muito à paróquia. Timidez, medo de invadir o espaço dos outros. Observando tudo com cuidado, para não invadir, incomodar. Bobeiras minhas.

Depois, meu momento preferido. Adoração. Mal sabia eu que poderia ter ido só por isso.
Que maravilha poder ali me ajoelhar diante da verdadeira Luz e Amor e simplesmente olhar. Admirar. Sorrir.

E aos poucos o coração começa a falar. Fala de maneira confusa, perdida. Apenas quer falar. Pede e agradece e pensa coisas alheias. Canta. Chora. E fala. Quer sair tudo de uma vez, limpar. Lavar como a chuva.

Quase uma hora e meia ajoelhada. Talvez tenha sentido sim, um pouco de dor, nada comparável ao que sofreu um dia Ele. E também a alegria era maior.

Havia momentos, que a emoção era tanta, e o falar era tanto, que tudo saia rasgando. E o coração não dava conta. Acelerava. Batia rapidamente. E eu só sentia.

Era um pouco incomodo, mas incrível. Porque preenchia só do que é bom.

Pude acender a minha vela, que me representava mais próxima a Ele, como luz. Me ajoelhei então mais próxima Dele e de outras velas, e muito me emocionei. Sim, não tenho dúvidas de que estava presente ali.

Voltei para meu lugar, ao fundo, mas não estava contente. Queria ficar mais a frente, mais próxima, sentir tudo mais forte e mais de perto. Mas achava que seria invasivo, incomodaria, chamaria olhos para mim. Mas não aguentava. Eu tinha que me aproximar. Então, apenas fui.

E lá fiquei.



Prefiro que o silêncio possa preencher o resto, assim como ele me preencheu durante a adoração.

O resto da noite foi tranquila, ocorreu como sempre tem que ocorrer. Muitas pessoas ao redor, que geralmente não me sinto muito bem perto. Minhas conversas malucas com meu namorado, que só a gente entende. Até ousei cantar e me mexer como que dançando sentada, do canto. Nada demais.

Esse foi o verdadeiro descanso do meu final de semana. Das minhas férias. E de um certo período de tempo da minha vida. Precisava de uma renovação. De um sentimento de perdoada, de motivada. De uma alegria sem fim. E de verdadeira paz. Agora sei que aqui dentro tudo é luz. E muito amor.

Céticos se recusam a aceitar, eu me recuso a não aceitar. Está bem aqui, bem ali, comigo, com você com todos. É uma força enorme. É a fé.

Basta acreditar e enxergar.

Descanse o quanto quiser e não será suficiente sem. Só ela move e faz acontecer.

A fé é como a chuva, mas que acontece dentro de nós. Agita tudo, faz tremer, traz energia. Lava. Renova.

Agradeço imensamente aos céus e só peço que essa chuva nunca deixe de cair de mim...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Egoísmo literário

Sentada na recepção. Esperando ser chamada. A quase uma hora. Muitas ideias se passam. Tem dias que são assim.

Como penso, não sei. O calor enlouquece.

Enlouquece. Mas considero este quase como um estado natural.

Falando sobre mim mesma novamente. Até quando?

Não me orgulho. Faço por necessidade.

Sentada no ônibus, voltando pra casa, fugindo do sol. Que quero eu?

Eu devia parar com isso. Mas o egoismo é tanto, que ate gosto.

Falo de mim mesma sem saber falar de outra coisa.

Até sei, mas só se falar de mim.

Que humilhação.

Mas preciso escrever. É um modo de gritar, de falar o que esta guardado. Clichezinho? Sim, mas só sai dessa foma.

Houve uma discussão com uma amiga. Ela dizia que tudo é questão de criar, de se ficar a vontade para falar certas coisas em textos porque ninguém sabe a quem se refere. E eu discordei firmemente, porque não. Simplesmente, não.

Assim eu não falaria. E assim eu não seria ouvida, levada a serio.

De toda forma, não sou.

Tristeza.

Pago o orgulho e lamento saber que as pessoas não se interessam de fato pelas outras.

Me incluo nesse grupo ao só querer falar sobre mim. Mas ao mesmo não falo de outros desinteressadamente. Humilho só a mim mesma.

Desculpem-me, palavras. Só precisava de atenção, é a carência que se recusa a secar. É a vontade que me obriga. É a percepção que passeia que me consome.

Ontem uma borboleta foi a feira, queria comprar mangas e pêssegos que secavam ao sol.

Hoje, chaves diversas chaves estavam coladas a calçada. Libertação dos donos. Pobres chaves pisoteadas.

Enlouquecidamente enlouqueci.

Como não falar de mim para falar do que notei? O que fizeram com o viés?

Roubou o egoismo e chamou de certa tendenciosa sensibilidade.

Chega, os donos dos olhos não querem notar. Não interessa. Não é rápido, informativo, consumível.

Descendo do ônibus. Shopping.


Desinteressada. O observável foi roubado pelo cenário. Que egoísta.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Direções

Metrô. Sentada. Pós reunião. Pós almoço. Voltando para casa. Tranquilidade.

O que mais queria sentir se já tinha toda a calma das águas de um oceano, que oscila entre o vai e volta, do fundo à beira da praia?

Uma vida cheia de idas e vindas é o que hoje me contenta. Da casa a faculdade. Da tristeza a alegria. Do bom ao ruim. Do alegre ao triste. Do parado à agitação.

Às vezes o mar fica agitado. Mas se antes estava tranquilo, tudo volta ao normal. Ao vai e vem.

O meu barco, que era apenas silêncio de repente se agitou. Duas irmãs, muito parecidas, quase gêmeas, idosas, entraram pela porta próxima ao lugar em que eu estava. Uma encontrou lugar para sentar, outra não. Imediatamente, oferecí meu lugar.

Já que um quarto do meu dia é sempre no transporte, estou acostumada a certas reações. O lugar seria aceito e eu ficaria em pé, contente por ter dado o meu lugar. Mas o mar estava agitado.

E agitado, desafiou sua tranquilidade. A senhorinha, muito fofa, disse: não, muito obrigada, mas eu não sento de costas para a direção que o metrô está indo.

Sorrimos todos. Ela, a irmã, e um outro senhor que estava próximo. Eu realmente achei a resposta muito engraçada. Surpreendente, inesperada, imprevisível. A irmã apenas complementou: é, ela passa mal se senta assim, de costas, contrária à direção correta.

Alguém ofereceu o lugar, ao ouvir tudo. E eu fiquei contente.

Mas o mar continuava agitado. Como assim eu estava de costas ao correto? Como eu poderia estar contra a direção e não perceber, não me sentir mal?

Embora ainda com certa tranquilidade e estabilidade anterior, agora eu refletia sobre isso.

Isso explica porque certas coisas ocorrem. Às vezes estou contra a direção. Estou de costas para o necessário. E não me dou conta.

Finalmente você percebeu!, deve ter gritado a vida para mim. Não é a primeira vez que ela tenta me mostrar isso.

Ano passado. Primeira semana de aula. Pós semana de recepção. Quinta. Lugar desconhecido. Fome. Busca pelo local. Duas amigas, que ainda não conhecia tão bem.

Começamos seguindo algumas pessoas, que também iam almoçar, mas num dado momento, conversando, não vimos que não os seguíamos mais. Estávamos numa rua longa, enorme, que não parecia levar a lugar algum. E a fome berrando conosco, sobre como estávamos erradas no caminho.

Mas uma delas se recusava a voltar. Não, eu não posso voltar de onde vim. Isso vai contra o que eu acredito. Eu nunca volto, mesmo estando errada. Eu sigo até achar o que quero.

Não estava tão errada, amiga. Na frente encontramos dois moços, retornamos e encontramos.

Veja bem. A senhorinha não quer estar contra a direção. A amiga não quer olhar para trás.

E eu?

Não sabia o quanto isso era importante. Que a direção faz diferença, a sua forma. Na direção errada, posso não chegar no que quero. Mas olhar para trás? É estar contra também, contra a minha direção.

Significa que estou de costas pro que quero, preciso, desejo, verbos.

Mas e se de costas for um querer, precisar, desejar, infinitivos maior?

Aí é saber até que limites vão os princípios e as ações.

E disso, eu ainda não sei.

Mas a vida está alertando. Eu vou e volto, e você ainda não sabe. Você tem que saber!

Sim, eu tenho. Mas o meu não ter é maior.

Limitar é muito chato. Ainda bem que esse trem é aberto. Mesmo de costas, você vê a curva, vê o movimento, sabe para onde está indo.

Mar, agite-se o quanto quiser. Hoje sou tranquilidade. Sei achar o ritmo do vai e vem mesmo com as ondas mais fortes surgindo.




domingo, 17 de janeiro de 2016

Luz

A única certeza é a morte. Não. Morrer ainda é viver. A única certeza, para mim, é que há uma luz poderosa. Uma luz que a tudo pode preencher. Uma luz repleta de apenas amor. E paz. Uma luz pura, simples.

Desde pequena, eu sinto isso. Sinto que acreditar e buscar isso poderia ser uma solução para o que sinto. Não estava tão certa, mas não tão errada. Muito mais próxima do que é a solução.

A luz se representa em gente, em emoção. Se transforma em concreto.

E eu sabia que era o que precisava fazer também com minha vida: torná-la concreta.

Mas o primeiro passo sempre é acreditar.

E eu acreditei na luz. Mesmo nos momentos mais difíceis. Luz.

No momento mais escuro de minha vida, quando sentia algo arder em meu peito, um silencio tomar conta das minhas horas, o fazer nada roubando minhas energias, quando achei que tudo acabaria aqui, assim e agora... A luz apareceu. A morte se tornou vida. A dor se tornou paz.

E aos poucos vou tomando forças e voltando ao mundo e encontrando meu lugar. Vou me dando vida novamente. Há uns seis anos...

E o tempo há de correr mais.

Tendo luz, a gente senta e espera. Uma hora acontece. Pior era esperar no escuro.

Eu tenho fé. E não duvido que existe aquilo que se chama Deus. E nada me tira esta certeza. É forte, é inabalável. Incondicional.

E eu sempre vou a casa de Deus. A casa dele se chama céu. Mas por aqui, é a igreja.

Um outro dia, enquanto montava os equipamentos e arrumava o som para cantar, algo me veio. Apenas desenrolava um cabo e o ligava, enquanto olhava para os bancos, para o altar, para os santos, para as pessoas que chegavam. E algo eu ví.

Essa casa é mais do que estruturas. É uma estrutura viva. Um organismo. Tem histórias que viveu, e dentro transborda de emoção quando tudo começa. Pessoas são necessárias para saciar e preencher ali, preencher de emoções, de pedidos e agradecimentos. De falas, de cantos, de movimentos.

A maior criação de Deus foram os humanos.

Há quem diga que os humanos são deus. Mas não precisamos afirmar dessa forma. Na verdade, humanos, unidos, em busca de amor, de paz, da luz, são capazes de corporificar ali aquilo que se pode chamar Deus.

Deus é mais.

E aos poucos, vou entendendo. Principalmente lendo sua palavra e participando de uma vida verdadeiramente religiosa. Vou entendendo certos anseios e angústias que tenho com relação ao mundo.

Na verdade, desde sempre apenas busco a luz. E vivo a luz. Não quero saber de patifarias, de coisas banais e triviais, "do mundo". Só quero viver, tendo amor e paz, esperar tudo passar, e encontrar a luz. A sensação de eterno. E quero fazer isso pensando, sentindo, e amando. Humanos e natureza.

Escrevo e acho tão clichê. Talvez porque já saiba disso há muito e não tenha percebido.

E a busca por tal luz me tem feito perceber que busco também o perdão. Eu preciso me perdoar.

Tanto mal me fiz querendo pertencer ao que não posso pertencer. Reclamo de solidão, silêncio e tristeza. Mas eu sou a solidão. Eu sou o silêncio. E eu sou feliz.

A tristeza faz parte. Falta de entendimento. Um dia a gente entende, põe sentido nisso.

Só quero renunciar certas coisas, e seguir naturalmente. Seguir acreditando. Buscando.

Luz que sempre me cegou e agora me ajuda a enxergar. Luz que me fez morrer para me dar a vida.

Luz poderosa da qual sou totalmente dependente, porque fujo da escuridão.

Luz, preencha-me!

domingo, 3 de janeiro de 2016

Por que tão paradoxal?

Nas férias, o meu descanso vem de outras formas. Vem de limpezas e organizações. Parecem limpar tudo. E com as limpezas, algumas coisas vão clareando e vindo a tona. Algumas ideias, pensamentos, opiniões. A deste ano me mostrou como é importante ter contato com parentes de mais idade, mais distantes e com uma história de vida totalmente diferente.

Me refiro a ida à casa da minha bisavó, que mora com tio-avôs. Parecem ter uma história tão difícil, mas ao mesmo tempo parecem viver da sua forma.

Viver por quase cem anos. Ter uma doença mental não tratada corretamente, e se sentir discriminado no dia a dia. Ser solteiro por toda a vida. São as realidades observadas naquela casa, e muitas outras difíceis não deixaram de passar por ali.

Mas o que encanta é que mesmo com realidades tão complicadas, todos vivem felizes, de alguma forma que possa ser felicidade. Uma felicidade do tipo que a gente se adapta a ter, e que com o tempo se percebe que não seria possível tê-la se não estivesse em tal realidade.

Essa ideia também foi influenciada por um livro que acabei de ler e por uma conversa que tive com uma amiga no começo da madrugada.

Em um texto anteriormente escrito, falava sobre meu desejo de ser normal e igual aos outros, relacionando tal ideia com alcance de felicidade. Mas após isso tudo, volto a pensar em tudo.

Atualmente, ou um atualmente que começou há uns três anos, tenho me sentido velha. Tido uma vida de velha. E isso tem mexido um tanto comigo, pois me sinto triste, porque não queria que fosse bem assim. No entanto, ao mesmo tempo, me sinto bem assim e não consigo ser de outra forma.

Por que tão paradoxal?

Realmente me entender facilitaria demais a vida.

Após uma noite sem dormir, consigo compreender muitas coisas, embora tenha medo de descobrir que elas não são bem assim com o tempo.

De toda forma, suponho ter compreendido que de fato, meu problema é comigo mesma. Eu quem não consigo me aceitar, não a vida ou a sociedade ou o mundo. Eu sou feliz, mas em meus pensamentos não me permito ser! Não permito que minhas emoções se entreguem. Como posso eu mesma ser minha maior inimiga, trapaceira?

Simples. Apenas nunca fui. Nunca me permití ser. O eu não permitiu o próprio eu.

Não há muitas palavras a serem gastas após um dia tão feliz e pleno. Um dia com a família, com o amor da sua vida, com Deus. Um dia normal, mas de descanso, de tranquilidade. Diferente. Um dia. Um dia que finalmente existiu, porque eu o permitir existir!

Sei que terei recaídas com o tempo, me conheço, e tenho tantos outros conflitos. O da perda, o das emoções. Mas também sei que sou humana, e só o que quero é me permitir.

Andar tranquilamente. Cantarolar. Sorrir. Falar sozinha. Não tentar compreender o que as pessoas pensam e se pensam a meu respeito a todo instante. Abraçar as pessoas em meio a multidão e onde bem quiser. Dizer coisas sinceras, profundas. Derramar lágrimas.

Eu só quero ser eu! Porque eu sei quem eu sou. Alguns fatos me fizeram amadurecer um pouco cedo, talvez, mas isso não deve me tirar a vida. Devo aceitar os fatos como são, mesmo que não tenha realizado algumas coisas como desejei. Ou posso fazê-las, mas de maneiras diferentes. Ou posso usar isso a meu favor. Ou posso fazer tudo de uma vez.

Ou posso apenas tentar.

Voltei a minha antiga máxima, então? "Querer não é poder, é tentar"?

É a vida. Nos volta para onde temos que estar, para onde de alguma forma parecíamos acertar. Mas nos deixa com nossos erros, dificuldades, complicações. Com a tal da nossa cruz. E essa mesma cruz, que trouxe dor, tristeza, sofrimento, recusa da vida, é aquela que no fim é capaz de trazer felicidade. Que linda confusão é a vida!

Quero viver. Não sei se posso, se ainda posso. Mas vou tentar!

Lá no fundo, sei que não quero tentar. Posso? Talvez não... Vou tentar!

Simplesmente paradoxal. Por que tão paradoxal?