sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Até quando?

Às vezes as ideias nos surgem de momentos não esperados, como em brincadeiras. São guardadas, e podem ser utilizadas em um momento certo. Não tão certos, porque talvez nem haja um,

Sei o que escrever. Mas algo me faz enrolar desde as três da tarde.

Até quando?

É uma pergunta que sempre faço a uma amiga.

Mas hoje ela se volta. Até quando vou ter certas atitudes?

Se eu quero escrever, sei o que escrever... Até quando isso será adiado?

Eis a pergunta.

Hoje teve matrícula na faculdade. Não minha, mas de novos alunos. Meus amigos e eu fomos. Ficamos sentados conversando. Era exatamente o que queríamos?

A minha matrícula foi ano passado. Quando cheguei e vi aquele mundaréu de gente cheia de tinta, música alta, um receio enorme me dominou. Mas queria participar. Era um querer não querer.
Quando saí da matrícula, não tinha mais ninguém. Me senti aliviada da angústia? Não, nesse momento ela sequer existia, tamanha a decepção.

Saímos dos tempos horrorosos e assombrosos de ensino médio para os de faculdade. Maravilha.
Ao menos dessa vez tenho amigos desde o início, e não a partir do último ano.

Até quando, até quando?

É a pergunta que faço para minha amiga, sempre que ela faz algo em meio a nossa inesgotável corrida pelo curso. Atrasos de horários, de textos, de trabalhos, estudos para prova. Anotações que se perderam nas aulas, surgindo em seu lugar desenhos. Histórias engraçadas vivenciadas por ela e sua família.

Até quando?

Calma, nem é tanto culpa sua.

Ameniza a dor, a culpa, as tarefas, o tempo. Ameniza a vida. Traz a paz.
Esquece.

Até quando vamos deixar esse desanimo se aconchegar em nós. Até quando vamos deixar o tempo passar. Até quando vamos deixar tantas tarefas surgirem e nos amordaçarem. Até quando?

Até quando os receios e angústias tomarão conta de nós. Até quando sentiremos que incomodamos e invadimos um espaço alheio. Até quando adiaremos e ignoraremos e deixaremos de fazer aquilo que importa para nós. Até quando?

Até quando isso se chamar vida. Porque as coisas são assim.

Enquanto isso, amiga, vou continuar te peguntando. Quem sabe ao longo do curso isso não melhore. Isso resposta. Ou isso situação. Até lá, por que se preocupar? Será assim e já não há muito o que fazer.

O que importa é que somos e existimos. E que hoje te ví e não precisei dizer isso. E amanhã, é seu aniversário.

Calma. É só o segundo ano. Vai piorar. E pirar

Afinal, estamos vendo tudo do jeito errado, e as coisas certas não estão sendo vistas.
Nem importa.

É seu aniversário e eu só quero que você irradie plenamente, não só com as pessoas, mas com você mesma. Vai ficar tudo bem.

Vai.

Até quando, Juliana, até quando?

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Chuva com gotas de fé

Sexta-feira é o dia conhecido sempre como aquele último da semana, em que chegará o final de semana e supostamente descansaremos. No meu caso, estou de férias, e na maioria das vezes não consigo parar. Quero dizer, mesmo aquilo que pode ser dito como atividade prazerosa conto como um fazer algo, produtividade.

Atualmente, a sexta tem tido um gosto diferente. Um gosto de produtividade ainda maior. É o dia em que faço muitas coisas: coisas que planejei para o dia, as que acabei atrasando e ainda adianto algumas. É estranho, mas é algo como: viva, vamos descansar, mas não largando tudo. Vamos descansar garantindo que tudo estará no lugar.

Na verdade, como disse. Tenho a sensação de nunca descansar. Mas será preciso mesmo descansar? Ou será que alguns momentos do dia garantem aquilo que se chama descanso?

Enfim.

A última tarefa das sextas tem sido cantar na igreja. E essa sexta foi especial.

Falar sobre igreja sempre gera uma série de confusões e preconceitos. Olhadas tortas. Mas não me importo, porque sei muito bem quão grande é a minha gratidão por frequentar este lugar. E o quanto não posso largar isso, já que um ano distante me fez tão mal.

Renovei as energias. Afinal, que descanso é esse que ocorreria sem ter alguma renovação? Gratificação?

Estava já plenamente contente, pois havia lavado a alma. Tudo dentro estava calmo e silencioso.
Então uma surpresa ao ir embora.

Algumas pessoas me apressavam, pedindo para que eu guardasse os equipamentos logo para que não tomássemos chuva. Chuva? Foi então que ao saber desassosseguei.

Odeio guarda chuvas, capas, blusas, quaisquer frescurites que funcionem com barreira entre a chuva e eu.

A chuva cai maravilhosamente do céu, como se fosse um espetáculo. Simples. Único. Busca atingir a tudo, a tudo lavar. Por que evitar?

São pingos. De água. Água que lava. Que dá vida. Que alegra.

Pronto. Agora que chovia, podia ir embora. Que banho de chuva! Lavando agora por fora, lavando e garantindo que a alma estivesse lavada.

A água, embora de início gelada, agitando, depois traz grande calma, contentamento.
Caminhava lentamente, cantarolando e dançando na cabeça. A leveza era grande, mas não suficiente para que eu vencesse a vergonha e pudesse me soltar.

Mas já estava solta, pela chuva que lavava e inundava. Limpava o que não prestava e preenchia o que necessitava.

A vida tem sido incrível comigo. Ou terei eu permitido?
De toda forma, nos últimos tempos só tenho tido alegrias, apenas possibilidades de agradecer.

Se não bastasse essa maravilha de banho, então, sábado fui a um evento de carnaval da igreja. Nada demais, mas uma grande oportunidade para quem não sai de casa e não tem nenhum ânimo para sair. Não sei bem o que me ocorre, mas uma força enorme me move sempre a ter muita alegria para sair quando se trata da minha fé.

Primeiramente a missa. Fiquei mais ao fundo, já que não costumo ir muito à paróquia. Timidez, medo de invadir o espaço dos outros. Observando tudo com cuidado, para não invadir, incomodar. Bobeiras minhas.

Depois, meu momento preferido. Adoração. Mal sabia eu que poderia ter ido só por isso.
Que maravilha poder ali me ajoelhar diante da verdadeira Luz e Amor e simplesmente olhar. Admirar. Sorrir.

E aos poucos o coração começa a falar. Fala de maneira confusa, perdida. Apenas quer falar. Pede e agradece e pensa coisas alheias. Canta. Chora. E fala. Quer sair tudo de uma vez, limpar. Lavar como a chuva.

Quase uma hora e meia ajoelhada. Talvez tenha sentido sim, um pouco de dor, nada comparável ao que sofreu um dia Ele. E também a alegria era maior.

Havia momentos, que a emoção era tanta, e o falar era tanto, que tudo saia rasgando. E o coração não dava conta. Acelerava. Batia rapidamente. E eu só sentia.

Era um pouco incomodo, mas incrível. Porque preenchia só do que é bom.

Pude acender a minha vela, que me representava mais próxima a Ele, como luz. Me ajoelhei então mais próxima Dele e de outras velas, e muito me emocionei. Sim, não tenho dúvidas de que estava presente ali.

Voltei para meu lugar, ao fundo, mas não estava contente. Queria ficar mais a frente, mais próxima, sentir tudo mais forte e mais de perto. Mas achava que seria invasivo, incomodaria, chamaria olhos para mim. Mas não aguentava. Eu tinha que me aproximar. Então, apenas fui.

E lá fiquei.



Prefiro que o silêncio possa preencher o resto, assim como ele me preencheu durante a adoração.

O resto da noite foi tranquila, ocorreu como sempre tem que ocorrer. Muitas pessoas ao redor, que geralmente não me sinto muito bem perto. Minhas conversas malucas com meu namorado, que só a gente entende. Até ousei cantar e me mexer como que dançando sentada, do canto. Nada demais.

Esse foi o verdadeiro descanso do meu final de semana. Das minhas férias. E de um certo período de tempo da minha vida. Precisava de uma renovação. De um sentimento de perdoada, de motivada. De uma alegria sem fim. E de verdadeira paz. Agora sei que aqui dentro tudo é luz. E muito amor.

Céticos se recusam a aceitar, eu me recuso a não aceitar. Está bem aqui, bem ali, comigo, com você com todos. É uma força enorme. É a fé.

Basta acreditar e enxergar.

Descanse o quanto quiser e não será suficiente sem. Só ela move e faz acontecer.

A fé é como a chuva, mas que acontece dentro de nós. Agita tudo, faz tremer, traz energia. Lava. Renova.

Agradeço imensamente aos céus e só peço que essa chuva nunca deixe de cair de mim...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Egoísmo literário

Sentada na recepção. Esperando ser chamada. A quase uma hora. Muitas ideias se passam. Tem dias que são assim.

Como penso, não sei. O calor enlouquece.

Enlouquece. Mas considero este quase como um estado natural.

Falando sobre mim mesma novamente. Até quando?

Não me orgulho. Faço por necessidade.

Sentada no ônibus, voltando pra casa, fugindo do sol. Que quero eu?

Eu devia parar com isso. Mas o egoismo é tanto, que ate gosto.

Falo de mim mesma sem saber falar de outra coisa.

Até sei, mas só se falar de mim.

Que humilhação.

Mas preciso escrever. É um modo de gritar, de falar o que esta guardado. Clichezinho? Sim, mas só sai dessa foma.

Houve uma discussão com uma amiga. Ela dizia que tudo é questão de criar, de se ficar a vontade para falar certas coisas em textos porque ninguém sabe a quem se refere. E eu discordei firmemente, porque não. Simplesmente, não.

Assim eu não falaria. E assim eu não seria ouvida, levada a serio.

De toda forma, não sou.

Tristeza.

Pago o orgulho e lamento saber que as pessoas não se interessam de fato pelas outras.

Me incluo nesse grupo ao só querer falar sobre mim. Mas ao mesmo não falo de outros desinteressadamente. Humilho só a mim mesma.

Desculpem-me, palavras. Só precisava de atenção, é a carência que se recusa a secar. É a vontade que me obriga. É a percepção que passeia que me consome.

Ontem uma borboleta foi a feira, queria comprar mangas e pêssegos que secavam ao sol.

Hoje, chaves diversas chaves estavam coladas a calçada. Libertação dos donos. Pobres chaves pisoteadas.

Enlouquecidamente enlouqueci.

Como não falar de mim para falar do que notei? O que fizeram com o viés?

Roubou o egoismo e chamou de certa tendenciosa sensibilidade.

Chega, os donos dos olhos não querem notar. Não interessa. Não é rápido, informativo, consumível.

Descendo do ônibus. Shopping.


Desinteressada. O observável foi roubado pelo cenário. Que egoísta.