segunda-feira, 9 de maio de 2016

Confusões internas em uma segunda de maio

Ônibus. Ouvindo aquela música que entra na alma e preenche tudo. O passageiro do lado direito se levanta,  e surge um banco vazio ao lado representando a solidão e a tristeza sentida naquele momento. Do lado esquerdo, o sol invade e me cega, como a trazer paz e esperança. É só uma velha confusão, aquela companheira atormentadora que voltou. É a velha sensação de não saber se isso é paz ou angústia. Parece contentamento, mas como é possível se traz dor no peito?

Eu me perdi de mim. A vida só tem me arrastado há um bom tempo. Como fez uns anos atrás. Belo ciclo de se viver. Talvez eu quisesse um tempo, sem querer tê-lo. 
Basicamente é o que tenho feito nesses últimos meses. Falta vontade pra tudo, e mesmo feliz com coisas boas que tem surgido, nada parece estar no lugar. E fujo das coisas que tenho pra fazer, que quero fazer... Fujo da vida. Sento em um banco, e me ponho a olhar pro nada, a olhar pras árvores e pras pessoas que passam. Talvez na espera de aparecer uma rápida solução, que inunde tudo, mas que me tire desse afogamento que me tem sido a vida.

Quando canso de esperar sentada, deito no chão, e deixo o sol invadir. O sol não só cega, como também esvazia a mente. Mas não a alma. Quando ele me permite enxergar, posso ver as árvores, lá no alto, altas e paradas, que também se deixam levar pelo tempo passar, muito indiferentes ao que acontece ao redor, e às vezes até me trazendo o desejo de ser uma também. Embora, às vezes, eu seja.

Quando canso de esperar deitada, caminho em meio ao verde, também sentindo o sol, sol misturado com o vento, ora me esquentando demais e ora me trazendo arrepios. Essa caminhada me fortalece várias esperanças, porque ela me compreende, e se apresenta toda ambivalente.

Essa confusão toda, que já conhecia de antes, ganhou novos sentidos conforme ví que tamanho tinha o mundo. Abraçar o mundo já não era tão mais possível, embora eu quisesse, e agora soubesse como ele é grande, e cheio de possibilidades. Mas não posso, tenho que aprender a me limitar. 

Como novata nessa de viagens, também não sei me limitar, e vou pro extremo de nada me permitir. E a vida só vai...

E novas ambivalências. Sou mais mundo que eu, e mais eu do que mundo. Com diferentes conceituações de eu. E de mundo.

Em outra caminhadas com mais pensamentos que tudo controlavam, as pétalas se espalharam todas pelo chão. E se eu pudesse, te traria de qualquer lugar que pudesse pra dançar. Você, que me transborda de saudades e faz  com que eu sinta uma imensa carência, necessidade de atenção e abraços sabe quem é você. Todo mundo sabe quem é você, porque também  todo mundo sabe que dia foi ontem. Você é quem me dava sentido e razão, é o grande amor da minha vida.

As lágrimas ainda escorrem. E a vida me carregou. Tudo mudou, o tempo passou, várias coisas me surgiram na vida, até eu mesma mudei. E não mudei. E me sinto a mesma garotinha perdida, de anos atrás, criança, que não entendia nada do que acontecia. 

E essa sensação aumenta, quando me vejo no mesmo ponto do passado, sentindo tamanha solidão, sensação de paz com o peito ardendo, desejo de dormir durante o dia e não a noite, e nada mais fazer, misturado com alguns pensamentos de morte. 
Reviver isso tudo gradativamente me leva ao desespero. Desespero de quem passou por isso e teme não ter superado. E teme que venha de noite, e mais forte, ou mesmo que igual. 

Muito disso vai passar quando eu me perdoar, sabe-se lá porque motivo. Só sei. Porque as lágrimas sempre surgem diante dessa ideia. Muito disso vai passar quando simplesmente não sei.

Agora tenho sempre esperado um tempo pra voltar pra casa. Esperando tudo passar. Esperando o momento de enlouquecer ou de fugir. 

Mesmo as palavras aqui perderam seu sentido... Ao despender demais energias ficando alheia a mim mesma e ao que sinto. Dizendo que está tudo bem e fazendo brincadeirinhas enquanto tudo aqui dentro explode.

Pode ser medo de assumir a vida e um eu, de me deixar ser, e me deixar limitar. Decidir. Expressar. Pode ser só fase da vida. Pode ser. 

Seja o que for, que seja logo. Já não há mais peles no dedo a se comer. E as energias estão em baixa nesse corpo e nessa alma que chamo de minha. 

E que seja cedo, e não me julguem por ser assim, porque eu já faço o suficiente pelo mundo. Grande culpabilização. 

Fecho os olhos. Lembro da casa da esquina da minha rua. Tem uma árvore maravilhosa que cobre toda a rua. Desejo de passar por ali, caminhando com uma bicicleta, e apenas estando tudo bem. Sorrindo. E a liberdade chegou. Posso até soltar os braços e abrí-los, quase a voar.

Devaneios e alucinações. 

E quem sabe abrir os olhos e acordar com o sol.