sexta-feira, 12 de maio de 2017

Sobre o viver

Tem dias que você acorda e não quer viver. Acorda porque o corpo te obriga, a vida e a rotina te obrigam. Como se esperassem algo de você. Na verdade, é você quem espera.

Mas sabe que não consegue. Seria mais fácil não viver. Ao menos por um dia. Como seria não existir?

Não tentaria, não pensaria, não sentiria. Não faria nada.
Não desejaria. Não esperaria.
Não.
Nada.
Sequer respiraria.

Inquieta, inconstante. Mudando de lugar diversas vezes. Caminhando como se um rumo pudesse surgir.

Se pudesse, o que escolheria? Como seria?
Quem você seria?

Companhias voláteis. Desconhecidos pedindo informações.

Fuga, para o mato, para o sol. Silêncio. Só restam os grilos, os pássaros e as folhas que se movem com o vento. Abelhas.

É nesse nada, nesse vazio que me preenche, bem intensamente, que me escondo de mim. E me encontro.

E nesses dias em que me desencontro, tudo vem a perder. Pensamentos atormentadores surgem, para por tudo a temer. E doer.

Quieta, disfarço, finjo que está tudo bem. Deveria dizer a alguém? Adiantaria?

Parece que tenho que viver. Disseram em todos os lugares. Então me distraindo, seguindo, me obrigando, como quem muito quer, eu vou.

Atropelando, passando por cima de tudo - e de mim - vou viver. Porque a vida, embora minha, é forçada.

Por que parar? Um dia passa.

É o que dizem por aí...



Só não disseram como doeria sr você mesma a pessoa que te faz sofrer.

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