quinta-feira, 22 de junho de 2017

Senti(n)do para viver

Hoje o dia me trouxe uma nova conclusão, ou confissão. Revelações de nós para nós mesmos.
Se todos somos uma casa, eu sou um ninho de passarinho. 
Desses que precisa ser reparado a todo momento, pra não ceder. Desses que se desmancham ou são desmanchados por qualquer coisinha ou pessoa. E desses que se pudesse, acolheria todos os passarinhos que precisassem.

É engraçado dizer isso, e pensar nas coisas como são, e em como a vida acontece. Depois das tormentas e tempestades, do coração que tanto bateu acelerado até quase rasgar o peito - difícil de suportar - do ninho se manter ali no galho que é a vida, fica tudo bem. Como quando o sol nasce. E eu sei que virá um dia bom.

E eu deixo esse sol me tocar. Respirar e sentí-lo na nuca traz uma leveza incrível, quase me fazendo dançar, ouvindo música.

Me faz lembrar de mais um dia em que a solidão se aproximou, melancolicamente. Como um sopro, em que tudo rapidamente desliza e conquista o controle. E fui caminhar.
Caminhei até as pedras, onde me sentei, e olhei durante muito tempo para o nada, em silêncio. Ví pessoas passando muito longe, trilhas de formigas muito perto. E esse nada, embora árvores, distantes, são também aqui dentro de mim, para onde pude me voltar. 
O vento também soprava forte nesse dia. E parecia, aos poucos, tirar de mim todo o peso ou excesso daquilo que não sou eu ou simplesmente é demais. 

Pude caminhar mais um pouco, contemplando ao redor, as diversas flores, sorrindo, sentindo a grama a cada passo dado. Sentindo eu mesma aqui, como nunca antes. Um encontro entre amigas que às vezes se perdem na multidão, de pessoas e de coisas.

Fui para o cantinho de paz. Um lugar rodeado por árvores e grama, com muitos bancos. Gosto de sentar ali para escrever, deitar, organizar tudo. E foi onde me deitei, no cantinho de paz. Me sinto completa e infinita ao olhar para o alto das árvores e para o céu, com suas nuvens, com o sol.

E foi o que também sentí, ao olhar pela janela do ônibus o céu, dividido entre duas cores, azul e bege. A visão de tais cores se misturavam com o topo das árvores e suas diversas folhas sombreadas. Sua textura de areia me fizeram mergulhar em um encanto profundo, que trazia o despertar de uma vida nova a cada dia.

Posso dizer o mesmo de quando chovia, e ouvia as folhas molhadas escorregarem pelas ruas, fazendo um som de água. E eu olho para o céu, vejo as gotas caindo, brilhantemente. Caminho bem lentamente, ouvindo meus passos.

Tem se tornado cada vez menos estranho estar comigo.
Sem medo, constrangimento, desrespeito, a ponto de estranhar estar com os outros, se não forem boas conversas, risadas, ou um maravilhoso silêncio.

Apenas me voltando para o que me traz sentido. E reduzindo estresses desnecessários, antes que eu volte as pedras e estoure minha cabeça em uma delas.

Mas mais estranho é estar no mundo. Saber de todos os problemas, injustiças e coisas dolorosas que ocorrem e olhar para o mundo como uma sonhadora, hesitante, alheia, alienada, desejando a natureza, a essência e o que houver de mais puro, sensível e profundo. Jogando as fragilidades na frente, e acreditando que as coisas podem ser diferentes.

Diferentes de que modo? Devo chamar de escapismo ou realidade? 
Foi o que me perguntei caminhando pelas ruas do centro da cidade. Pessoas à vontade, felizes, quase como em um sonho. Será ilusão, será? 
Talvez seja se esquecer dos problemas por um momento. Talvez seja um momento para se lembrar de tudo o que importa e simplesmente viver. Depende do ponto de vista.

E eu já sei o meu.
A realidade social dói, ninguém vai negar. Eu não vou. Sonhando, eu sei. E em nenhum momento, desde pequena, deixei de pensar no que eu posso fazer por ela, por todos, por mim. E sonhando, vou.

Com frequência eu viro para o lado errado da rua, mas depois de caminhar por muito tempo vejo onde estou. E volto.

Às vezes é meio difícil se regular pelas pessoas, coisas e mundo. Lágrimas, desânimo, respirações profundas, desatenção, gargalhadas, gritos, barulho, e tanto mais. E às vezes é bom demais perceber tudo assim.

Sentindo e pensando demais, é como me vejo.

Quando eu era pequena, passava quase todo o dia lendo, escrevendo e cantando. Um dia minha mãe, preocupada, parou na porta do meu quarto e me disse: menina, assim você vai ficar bitolada. 
Talvez não estivesse errada, quando paro para refletir sobre o modo como lido com a vida. 

Na realidade demais, escapando demais. E eu acho que esse escape é tão real quanto todo o resto.

Sentir o céu próximo de mim. É o estado de espírito que defino a vida quando tudo flui.
Passarinho não fica o tempo inteiro no ninho. 
E voa para longe quando o olhar se perde pela janela.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Ansiedade

Acordo assustada
Um pulo, faltam trinta minutos -
Perfeito para por toda a preocupação em dia
O que falta? O que esquecí? Onde errei?

Não quero sair
Chove
Assim como mais tarde eu venho a descobrir
Um temporal dentro de mim

No meio disso tudo
Uma mutidão
Que empurra, pressiona e sufoca
Meus sentimentos vem e vão

O estresse cresce
Eu sinto que vou cair
Tremendo
Uma dor no peito

Pareço queimar
Calor, muito quente
Tiro a roupa de mim
Tentando tirar todo o resto

O resto só aumenta
Muito, demais
Explode e sufoca
Não dá pra controlar

O coração não sabe lidar
Bate, acelera, acalma
Dispara, sem parar
Quase foge de mim

Assustada e desesperada
Não quero ficar só
Que alguém me ajude
Paralisei

As lágrimas escorrem
Dolorosamente
O hoje não foi planejado assim

O estomago também vem
Ele e o coração estão alarmados
Ataque
Queria fugir

Queria não existir
Que sentido tem essa realidade?
Um gosto tão ruim

Abaixo os olhos
É melhor não ver
Toda a realidade
Desse dia que não escolheu ser

Preciso de alguém que me abrace

Parece que assim vai passar
Com um simples toque
E acalmar todo esse vendaval

E que eu dê um tempo pra mim
Dorme, dorme
Talvez desligada
Esse coração que não para
Fuja pra outro lugar


Rápido
Antes que as lágrimas voltem a desabar